Bumba Minha Casa

       

Principais Manifestações Culturais

Bumba-Meu-Boi

Há registros de que, desde o final do século XVII, o bumba-meu-boi já era conhecido, em meio à sociedade patriarcal e escravocrata do Brasil Colônia. A manifestação espalhou-se do litoral nordestino para os outros estados, devido ao ciclo do gado (séculos XVII e XVIII).

É um auto popular feito, nas suas origens, de forma oral por negros, índios, mamelucos e mestiços. A manifestação servia de porta-voz às suas críticas e reivindicações. Dado o seu tom de sátira, torna-se uma crítica ao patriarcalismo escravista.

O boi maranhense faz parte do ciclo das festas juninas e é, tradicionalmente, realizado na intenção de São João, com base na crença de que agrada a esse Santo organizar um boi ou participar de um que já esteja organizado.

A representação do “auto” tradicional conta a história de Pai Francisco, um escravo que, para saciar o desejo de sua esposa grávida, Mãe Catirina, por uma língua de boi, mata o gado de estimação do senhor da fazenda. Percebendo a morte do boi, o senhor convoca pajés e curandeiras para ressuscitar o animal. O boi volta à vida e a comunidade festeja.

Sotaques

“Sotaque” é o termo usado no Maranhão para designar o estilo de bumba-boi conforme a origem local, e abrange a lírica das toadas com sua maneira de cantar, a instrumentação musical e a indumentária com sua maneira de dançar e atuar.

Os estudiosos identificam 5 sotaques:

Zabumba

Boi de Zabumba - Acervo: Mirante

É procedente da região da Baixada Maranhense, principalmente do município de Guimarães. Marcado pelo ritmo fortemente africano, com presença da percussão rústica e cadenciada.

Sua denominação advém dos grandes tambores, comumente chamados de zabumbas, feitos de madeira, sempre carregados por dois tocadores numa forquilha de madeira, onde ficam, também, amparados no momento do toque com as baquetas.

Ao lado das zabumbas estão os pandeirinhos, tambores menores, igualmente cobertos de couro, que fazem o repinico no meio da sua socada percussão. Os outros instrumentos são os maracás, tambores de fogo e os tambores-onça.

A indumentária é primorosa, bem cuidada, com os chapéus em formato de cogumelo, que chegam a ter 200, 300 e até 400 “pontos de fita”. As golas e os saiotes têm profusão de bordados, que, por vezes, se estendem em maravilhosas barras. Usam camisas e calças de cores combinadas, além de perneiras e polainas.

É comum alguns brincantes se apresentarem com vistosas varas de ferrão nas mãos, como se estivessem tocando o boi. Na frente dos grupos, vêm as índias tapuias, com as suas cabeleiras de ráfia e passos que marcam a acentuação e o ritmo das zabumbas, sendo o calcanhar o ponto de apoio dessas brincantes.

O sotaque de zabumba é considerado o de presença mais antiga, primitiva, mais africana, mais chão.

Matraca

Sotaque de Matraca - Acervo: Boi da Maioba

O sotaque matraca é próprio dos bois da Ilha de São Luís, por isso é conhecido, também, como “sotaque da ilha”.

A denominação “matraca” vem do principal instrumento usado nesse tipo de boi: duas tábuas de madeira rústica, que, batidas uma contra a outra, numa espécie de atrito, produzem um som estridente.

Além das matracas, os outros instrumentos de percussão desse estilo de boi são os pandeiros – grandes aros de madeiras que chegam a um metro de diâmetro, com altura de mais ou menos 8 a 10 centímetros, sendo, tradicionalmente, cobertos de couro de cabra, tambores-onça e maracás.

Os bois de matraca formam, sobretudo na época junina, verdadeiros batalhões, pois não há limites de brincantes. A apresentação inicia com o cordão de rajados, que vem na frente com a indumentária característica, seguido dos amos cantadores e, atrás destes, segue a “tropeada”, pessoal da percussão, principalmente matraqueiros e pandereiros.

Entre os personagens, destaca-se o caboclo de pena ou caboclo real, que se cobre com uma roupa toda de penas (de ema, pavão ou avestruz), um enorme capacete, saiote, braceleiras e tornozeleiras. Seu bailado é forte, ritmado e “faz tremer o chão”.

BAIXADA

Baixada
 - Acervo: Mirante

O sotaque baixada, também conhecido como sotaque de Pindaré, dada sua ligação com esse município e os da região. Alguns o consideram como uma variação do sotaque de matraca, por usar os mesmos instrumentos: matracas e pandeiros – de menor dimensão, tambores-onça e maracás. Entretanto, o ritmo é diferenciado, os bois da Baixada têm um toque lento, leve e suave, meio dolente.

Dentre seus personagens, destaca-se o Cazumbá, numa alusão mágica a um ser místico (meio homem, meio bicho) representado com máscaras características, bata e badalo ou chocalho na mão. Evolui em coreografia única, com requebros evidenciados pelo cofo que esconde atado na cintura.

Outro ponto alto desse sotaque é a rica indumentária, onde realçam os chapéus, de grandes testeiras de veludo preto bordadas, de forma similar ao couro do boi, circundadas de pena (emas) e fitas coloridas. Os brincantes usam, ainda, peitoral e saiote de veludo preto bordado, com diversos motivos.

ORQUESTRA

Boi de Orquestra - Boi de Nina Rodrigues

Segundo versão corrente no município de Rosário, surgiu graças ao saxofone de um músico, que, vindo cansado de passar a noite tocando, encontrou-se com um grupo de bumba-boi, sendo contagiado pela sua melodia. Passou, então, a acompanhá-la, o que resultou numa alegre mistura. E, a partir daí, outros instrumentos foram incorporados ao conjunto, nascendo daí o boi de música.

O sotaque é embalado por uma orquestra, que coloca em evidência a parte de sopros e cordas. São clarinetes, banjos, saxofones e pistons, além de bumbos, tambores-onça e maracás. O que resulta em um ritmo alegre, suave e envolvente.

Na sua formação tradicional, os brincantes vinham em dois cordões ou fileiras, que se movimentam, indo e vindo, a sacudir os maracás. As índias posicionavam-se na frente, tendo arco e flecha nas mãos e, ao se apresentarem, ajoelhavam num só joelho, fingindo disparar as flechas.

No vestuário, os chapéus podem ser de três tipos: os chamados gaiolas, que têm por base um chapéu comum, coberto de tecido, tendo uma armação de arame com bordados de bandeiras, escudos etc; o tipo abajur, altos no centro com dois lados fechados e bordados; e os de palmas, que seguem o estilo português. Esses tipos de chapéus sempre levam fitas coloridas ao redor.

Atualmente, é grande o número de grupos desse sotaque, sendo os mais suscetíveis a certas intervenções modernas, tais como: antecipação da data do batismo, mudanças no bailado dos cordões e das índias, introdução de um grupo de índios seminus, aceleração no ritmo das toadas e acompanhamento musical, adoção de excesso de brilho e de elementos estranhos na indumentária. A exemplo, os capacetes das índias, copiados dos bois amazônicos.

COSTA-DE-MÃO

Boi de Costa de Mão -
 Foto: Jandir Gonçalves

É assim denominado em razão dos seus pandeiros serem tocados com a costa da mão, sendo pendurados com o auxílio de um fio no pescoço do brincante, para facilitar a batida. O ritmo é lento, melodioso, de cadência desacelerada.

Denomina-se, igualmente, sotaque de Cururupu, por ser esse município e suas circunvizinhanças o berço desse estilo de boi.

Além dos pandeiros, os brincantes tocam caixas e maracás, podendo, hoje, serem incorporados instrumentos como tambor-onças e outros tipos de pandeiros.

Sua indumentária é rica, tem chapéus afunilados, em estilo cogumelo, de bordados e fitas. Uma peculiaridade é que as calças e blusões são de veludo, bordados com esmero, diretamente no tecido. Usam, ainda, meiões.

Esse sotaque é pouco difundido fora da região de origem, sendo pequeno o número de grupos que conseguem vencer as dificuldades e se apresentarem em São Luís.

Outras Manifestações Culturais
do Nosso São João

Cacuriá

Sensual, colorida e envolvente. O Cacuriá é uma das manifestações mais belas e tradicionais da cultura maranhense! O cacuriá é uma dança de roda com instrumentos de percussão e tem um pouco mais de quarenta anos. A dança foi criado pelo Mestre Lauro, que se inspirou no Carimbó de caixeiras, uma festa realizada após os festejos do Divino Espírito Santo.

Muito parecido com o maxixe, o cacuriá maranhense se destaca pela sensualidade, gingado dos quadris e interação dos dançarinos. Comandado por um cantador ou cantadora especializado em criar versos de improviso, estes precisam ser imediatamente respondidos pelo coro formado por brincantes. Seguindo marcações bem definidas, as dançarinas de Cacuriá alcançam o ponto alto da manifestação, conhecida como Punga, ou Umbigada.

O cacuriá de Dona Teté é o mais antigo do estado e hoje existem mais de 50 grupos de cacuriá só em São Luís.

Dança Country

O São João do Maranhão é uma celebração plural e diversa, que conta com diversas manifestações folclóricas do nosso povo. A Dança Country, também conhecida como Dança do Boiadeiro, chama a atenção do público por onde passa pelos trajes brilhantes

A dança acontece em pares, tendo como inspiração o homem do campo e o peão das vaquejadas. Grupos com muitos casais apresentam-se com movimentações sincronizadas, embaladas por repertório formado por música sertaneja e música country.

Dança Portuguesa

A Dança Portuguesa é uma das heranças deixadas pelos nossos colonizadores. Aqui, no São João do Maranhão, os casais dançam ao som do fado e viras, com roupas típicas de portugal: mulheres sempre com leques e lenços e os homens exibindo bengalas, chapéus e luvas.

Tambor de Crioula

Praticada pelos descendentes de escravos africanos em louvor a São Benedito, um dos santos mais populares entre os negros, o Tambor de Crioula é derivado do Carimbó do Maranhão e uma das danças mais populares do nosso São João.

O tambor de crioula apresenta coreografia livre e variada. A brincante que está no centro é responsável pela demonstração coreográfica principal, mostrando sua forma individual de dançar. No centro da roda, os movimentos são mais livres, mais intensos e bem acentuados, seguindo o compasso dos tocadores.

A dança apresenta uma particularidade: a punga ou umbigada. Entre as mulheres, se caracteriza como um convite para entrar na roda. Quando a brincante está no centro e quer sair, avança em direção a outra companheira, aplicando-lhe a punga, que consiste no toque com a barriga. A que estiver na roda vai para o centro para continuar a brincadeira.

A parelha é a marcação dos passos da dança feita por um conjunto de tambores: grande, meião e crivador. O tambor de crioula apresenta coreografia livre e variada. A brincante que está no centro é responsável pela demonstração coreográfica principal, mostrando sua forma individual de dançar. No centro da roda, os movimentos são mais livres, mais intensos e bem acentuados, seguindo o compasso dos tocadores.

A dança apresenta uma particularidade: a punga ou umbigada. Entre as mulheres, se caracteriza como um convite para entrar na roda. Quando a brincante está no centro e quer sair, avança em direção a outra companheira, aplicando-lhe a punga, que consiste no toque com a barriga. A que estiver na roda vai para o centro para continuar a brincadeira.